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Inteligência artificial no Direito: o que é, como funciona e o impacto na advocacia

  • Por: SantoDigital
  • ago 29, 2025
  • 8 minutos
Robô representando a inteligência artificial no Direito

O Direito é, historicamente, um dos campos mais tradicionais da sociedade. No entanto, a chegada da inteligência artificial no Direito quebra paradigmas e traz uma transformação inevitável para a advocacia e a gestão jurídica.

Muito se fala sobre “robôs advogados” substituindo profissionais, mas essa visão é simplista e equivocada. O que de fato está acontecendo é o surgimento de ferramentas inteligentes que amplificam a capacidade humana, permitindo que advogados, juízes e gestores jurídicos tomem decisões mais rápidas, precisas e embasadas.

A inteligência artificial já consegue ler milhares de páginas em segundos, identificar cláusulas de risco em contratos extensos, sugerir jurisprudências relevantes para um caso específico e até prever tendências de julgamento. 

Isso não significa substituir o raciocínio crítico do advogado ou o olhar humano sobre a justiça, mas sim dar aos profissionais um “superestagiário digital” que nunca se cansa, não se distrai e trabalha em escala.

Neste guia, vamos explicar o que é a inteligência artificial aplicada ao Direito, como ela já está sendo usada em escritórios e tribunais, quais benefícios oferece, os desafios éticos que levanta e, principalmente, como começar a adotar essa tecnologia na prática jurídica.

O que é inteligência artificial aplicada ao Direito?

A inteligência artificial aplicada ao Direito é o uso de tecnologias como Machine Learning (aprendizado de máquina) e Processamento de Linguagem Natural (PLN) para realizar ou apoiar atividades que antes dependiam exclusivamente da inteligência humana. Isso inclui desde a pesquisa de jurisprudência até a análise de contratos complexos e a automação da criação de documentos jurídicos.

Na prática, essa tecnologia funciona como um “superestagiário digital”

Imagine um sistema de IA aplicada ao Direito capaz de:

  • ler milhares de páginas de contratos em segundos;
  • destacar cláusulas que fogem ao padrão;
  • encontrar riscos jurídicos em uma due diligence;
  • localizar a jurisprudência mais relevante para um caso específico em um banco de dados com milhões de decisões.

Essas tarefas, que consumiriam dias ou até semanas de um advogado, podem ser realizadas em minutos com auxílio da inteligência artificial. Isso não elimina o papel do profissional, mas o transforma em alguém mais estratégico, com acesso a informações de qualidade em tempo recorde.

O resultado é um setor jurídico mais ágil, orientado por dados e capaz de oferecer serviços de maior valor agregado aos clientes.

Como a inteligência artificial está sendo usada na prática jurídica?

As aplicações da inteligência artificial no Direito vão desde a automação de tarefas administrativas até a análise preditiva de processos. Portanto, é uma tecnologia que já deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma realidade presente em escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e até tribunais.

1. Na análise e revisão de contratos e documentos em massa

Ferramentas de IA podem analisar contratos extensos em poucos segundos, identificar cláusulas padrão, detectar anomalias e apontar riscos jurídicos. Em operações de due diligence, que antes levavam semanas, a tecnologia reduz o tempo de trabalho para poucos dias, garantindo mais segurança e eficiência no Direito.

2. Na automação da criação de peças e documentos jurídicos

A automação proporcionada pela inteligência artificial no Direito já permite gerar petições iniciais, contestações e documentos padronizados a partir de informações básicas fornecidas pelo advogado ou cliente. Isso reduz o tempo dedicado a tarefas repetitivas e libera os profissionais para atuarem de forma mais estratégica em casos complexos.

3. Na pesquisa jurídica e busca de jurisprudência

Soluções de IA superam as buscas tradicionais por palavras-chave. Elas compreendem o contexto do caso e identificam decisões judiciais, súmulas e legislações mais relevantes. Essa abordagem contextual economiza tempo e aumenta a efetividade das pesquisas jurídicas.

4. Na análise preditiva de resultados e tendências de julgamento

Por meio da jurimetria, a IA analisa milhares de processos e gera previsões sobre a probabilidade de sucesso de uma ação, o comportamento de um juiz em determinado tema ou a tendência de um tribunal em casos semelhantes. Isso permite que escritórios orientem seus clientes com base em dados, e não apenas em intuição.

5. Na gestão de processos e fluxos de trabalho do escritório

A inteligência artificial no Direito apoia a gestão operacional dos escritórios. Ela pode organizar prazos processuais, classificar automaticamente documentos recebidos, encaminhar tarefas para os responsáveis e até prever gargalos na equipe.

Esses exemplos mostram que a inteligência artificial já é uma ferramenta indispensável no Direito, trazendo ganhos de produtividade, precisão e segurança jurídica.

Exemplos de uso da inteligência artificial no Direito 

O uso da inteligência artificial já é realidade no Judiciário brasileiro:

  • o sistema VICTOR do STF analisa processos com repercussão geral e auxilia ministros na triagem de recursos;
  • segundo o CNJ, em 2024, 66% dos tribunais brasileiros já utilizavam IA em apoio à análise e gestão processual.

Essas iniciativas revelam que a IA não é apenas uma tendência internacional, mas uma realidade consolidada também no Judiciário brasileiro.

Quais os benefícios reais da IA para advogados e escritórios?

A adoção da inteligência artificial no Direito não é apenas uma questão de modernização tecnológica. Ela já entrega ganhos mensuráveis que impactam diretamente a produtividade, a qualidade dos serviços jurídicos e a satisfação dos clientes.

A IA é uma aliada estratégica para tornar o setor jurídico mais ágil, seguro e orientado a dados, sem perder a essência da atuação humana: o julgamento crítico, a argumentação e a empatia.

1. Aumento exponencial da eficiência e produtividade

Atividades que antes exigiam horas de análise manual podem ser concluídas em minutos com a inteligência artificial no Direito. Isso permite que escritórios lidem com maior volume de casos sem comprometer a qualidade.

2. Redução de custos operacionais e tarefas repetitivas

A automação de tarefas administrativas e jurídicas com o uso de IA no Direito reduz a necessidade de alocar profissionais altamente qualificados em funções operacionais, o que otimiza recursos e diminui custos.

3. Tomada de decisão mais estratégica e baseada em dados

Com análises preditivas e relatórios detalhados gerados pela inteligência artificial no Direito, advogados conseguem embasar suas estratégias em dados objetivos, aumentando as chances de sucesso em disputas judiciais e negociações.

4. Mitigação de riscos com análises mais completas e rápidas

Ao revisar contratos, documentos e processos em grande escala, a IA ajuda a detectar cláusulas de risco, inconsistências e falhas que poderiam passar despercebidas em análises manuais.

5. Melhora na qualidade e na velocidade dos serviços prestados ao cliente

O uso de inteligência artificial no Direito reduz prazos e aumenta a efetividade das entregas, elevando a satisfação dos clientes. Isso fortalece a reputação dos escritórios e melhora sua competitividade no mercado jurídico.

Quais os desafios e questões éticas da IA no Direito?

Apesar dos avanços, a inteligência artificial no Direito levanta preocupações legítimas que precisam ser consideradas para que a tecnologia seja usada de forma ética, segura e responsável.

Em 2024, o CNJ publicou uma resolução específica sobre o uso de IA no Judiciário, estabelecendo princípios de ética, transparência e governança. Isso mostra que o país já avança para consolidar regras que garantam o uso responsável da tecnologia.

1. O risco do viés (bias) nos algoritmos e a perpetuação de preconceitos

Os algoritmos de IA aprendem a partir de dados históricos. Se esses dados refletirem vieses ou desigualdades do sistema judiciário, as decisões da inteligência artificial podem reproduzir e até amplificar esses preconceitos. Isso exige auditoria constante e bancos de dados representativos.

2. A garantia da confidencialidade e da segurança dos dados dos clientes

O setor jurídico lida com informações altamente sensíveis. A adoção de IA precisa estar acompanhada de políticas rígidas de proteção de dados, alinhadas à LGPD, para evitar vazamentos, acessos não autorizados e uso indevido de informações confidenciais.

3. A definição da responsabilidade profissional em caso de erro da IA

Se um sistema de IA indicar uma jurisprudência incorreta ou omitir uma cláusula de risco em um contrato, quem é o responsável? O advogado que usou a ferramenta, o escritório ou o desenvolvedor da tecnologia? Essa questão ainda gera debates e exige regulamentação clara.

4. A transparência e a “explicabilidade” das decisões tomadas por IA

Um dos maiores desafios da inteligência artificial é a “caixa-preta” de muitos algoritmos, que chegam a conclusões sem explicar de forma clara como foram construídas. No Direito, em especial, a explicabilidade é essencial para garantir a confiança e a validade jurídica das recomendações feitas pela IA.

5. O impacto no mercado de trabalho e a necessidade de novas habilidades

A automação pode reduzir a necessidade de profissionais em tarefas repetitivas, como análise inicial de documentos. Por outro lado, cria novas oportunidades para especialistas em jurimetria, governança de dados e ética em IA. O mercado jurídico precisará se adaptar, desenvolvendo competências digitais e de supervisão de sistemas inteligentes.

Esses desafios não devem ser vistos como barreiras intransponíveis, mas como pontos de atenção para garantir que a adoção da IA no Direito seja segura, ética e benéfica para todos os envolvidos.

Como começar a usar inteligência artificial no seu escritório?

Adotar a inteligência artificial no Direito exige planejamento e estratégia. Não se trata apenas de contratar uma ferramenta tecnológica, mas de repensar processos e preparar a equipe para trabalhar em conjunto com sistemas inteligentes.

1. Identifique os processos mais repetitivos e que consomem mais tempo

Mapeie as atividades que poderiam ser automatizadas no seu escritório, como análise de contratos padronizados, organização de prazos processuais e pesquisa de jurisprudência. Esses são os pontos de entrada ideais para a inteligência artificial.

2. Pesquise e avalie as ferramentas de IA específicas para suas necessidades

Existem soluções jurídicas no mercado que vão desde a automação de documentos até plataformas de jurimetria avançada. Avalie fornecedores, funcionalidades, segurança de dados e capacidade de integração com os sistemas que seu escritório já utiliza.

3. Comece com um projeto piloto em uma área ou equipe controlada

Antes de expandir o uso da inteligência artificial no seu escritório, teste a tecnologia em um processo ou área específica. Isso permite avaliar resultados, identificar ajustes necessários e reduzir riscos.

4. Capacite sua equipe para usar as novas ferramentas e, principalmente, para validar seus resultados

A IA não substitui o julgamento humano. Por isso, é fundamental que os advogados saibam usar as ferramentas de forma crítica, supervisionando os resultados e garantindo a qualidade jurídica das entregas.

5. Meça os ganhos de produtividade e expanda o uso de forma gradual e estratégica

Acompanhe métricas como tempo economizado, redução de erros e satisfação dos clientes. Esses dados vão orientar a expansão da inteligência artificial para outras áreas do escritório, de forma sustentável.

Adotar a IA não precisa ser uma ruptura radical. Pelo contrário, o caminho mais seguro é começar pequeno, aprender com a prática e expandir gradualmente, sempre garantindo a complementaridade entre tecnologia e expertise humana.

A inteligência artificial está redefinindo a prática do Direito

O futuro da advocacia não é sobre “robôs advogados” substituindo profissionais, mas sobre a união entre expertise humana e tecnologia inteligente

A inteligência artificial no Direito já está transformando a forma como escritórios e departamentos jurídicos trabalham. Ela agiliza análises, reduz custos, traz previsibilidade e permite decisões mais embasadas.

O papel do advogado continua sendo insubstituível. Afinal, apenas o ser humano possui julgamento crítico, senso de justiça e empatia. Mas os profissionais que souberem aliar essas qualidades à potência da IA serão os verdadeiros protagonistas da advocacia do futuro.

A revolução da IA no Direito já tem aplicação prática. Ferramentas como o NotebookLM, o assistente de pesquisa com IA do Google, permitem que você use os próprios documentos do seu escritório como base de conhecimento para gerar resumos, insights e até novas peças jurídicas.

Mas como adotar essa tecnologia de forma segura, eficiente e integrada ao seu fluxo de trabalho? É aí que entra a SantoDigital

Como parceira Premier do Google Cloud, ajudamos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos a implementar o NotebookLM e outras ferramentas de IA dentro do Google Workspace, garantindo produtividade, segurança e governança de dados.

Fale com nossos especialistas e descubra como a SantoDigital pode transformar a forma como sua equipe jurídica trabalha com informações.

FAQ — Perguntas frequentes sobre inteligência artificial no Direito

Qual a IA mais utilizada no Direito?

As ferramentas de inteligência artificial no Direito mais utilizadas hoje são aquelas voltadas para automação de documentos, análise de contratos e pesquisa de jurisprudência com jurimetria.

Como utilizar IA na advocacia?

Para utilizar IA na advocacia, o primeiro passo é identificar os processos repetitivos que consomem mais tempo, como a revisão de contratos, a organização de prazos e a pesquisa jurídica. Em seguida, escritórios podem adotar ferramentas específicas de automação e jurimetria, implementar projetos-piloto em áreas controladas e capacitar a equipe para supervisionar os resultados.

Como a IA tem impactado o mercado profissional do Direito?

O impacto da IA no mercado jurídico é profundo e crescente. De um lado, ela está automatizando tarefas repetitivas, como a análise inicial de documentos, o que reduz a necessidade de mão de obra nessas funções. Por outro, está potencializando o trabalho dos advogados, oferecendo velocidade, precisão e insights baseados em dados. Além disso, a tecnologia cria novas demandas e carreiras no setor, como especialistas em jurimetria, governança de dados e ética em IA, mostrando que o futuro da advocacia será marcado pela combinação entre tecnologia e expertise humana.

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