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- fev 17, 2026
A criptografia pós-quântica é um dos temas centrais da segurança da informação. Os algoritmos que hoje protegem transações bancárias, certificados digitais, VPNs e comunicações corporativas foram projetados para computadores clássicos — não para o poder de processamento exponencial das futuras máquinas quânticas.
Embora computadores quânticos plenamente operacionais ainda estejam em desenvolvimento, o risco já existe.
Dados sensíveis capturados hoje podem ser armazenados e descriptografados quando a tecnologia quântica atingir maturidade suficiente — um cenário conhecido como harvest now, decrypt later.
Tratar esse contexto como hipótese distante é um erro estratégico. A preparação para a era pós-quântica faz parte da gestão de risco e da continuidade operacional. A seguir, entenda os impactos e as medidas necessárias.
A criptografia pós-quântica (PQC – Post-Quantum Cryptography) é um conjunto de algoritmos desenvolvidos para resistir a ataques executados por computadores quânticos.
A segurança da internet atual depende principalmente de dois fundamentos matemáticos:
Esses problemas são computacionalmente inviáveis para computadores clássicos quando utilizados com tamanhos de chave adequados. No entanto, algoritmos quânticos — como o algoritmo de Shor — podem resolvê-los com eficiência exponencial.
Na prática, isso significa que, quando computadores quânticos escaláveis se tornarem viáveis, grande parte da infraestrutura criptográfica atual poderá ser quebrada.
A criptografia pós-quântica substitui esses fundamentos por problemas matemáticos considerados resistentes a ataques quânticos, como:
A computação quântica representa uma ameaça aos sistemas criptográficos atuais porque utiliza um modelo de processamento diferente dos computadores tradicionais.
Enquanto computadores clássicos operam com bits (0 ou 1), computadores quânticos utilizam qubits, que exploram propriedades como:
Essas propriedades permitem resolver certos problemas matemáticos muito mais rapidamente do que os computadores convencionais.
O impacto direto na segurança digital é significativo:
Mesmo que ainda não exista um computador quântico capaz de quebrar RSA-2048 em escala comercial, o risco já é considerado estratégico.
Isso ocorre por causa do conceito conhecido como “store now, decrypt later”:
Organizações que armazenam dados de longo prazo — como contratos públicos, propriedade intelectual, registros médicos ou segredos industriais — são as mais expostas, já que essas informações mantêm valor por décadas.
Após anos de testes e análises criptográficas, o NIST (National Institute of Standards and Technology) formalizou os primeiros padrões oficiais de criptografia pós-quântica. Esses algoritmos foram avaliados quanto à segurança, desempenho e viabilidade prática.
A seguir, os principais grupos de algoritmos.
São atualmente os mais adotados e considerados equilibrados em segurança e desempenho.
Principais esquemas:
Esses algoritmos oferecem:
Hoje, os esquemas baseados em redes formam a base da padronização internacional.
Voltados principalmente para assinaturas digitais.
Exemplos:
Características principais:
São considerados altamente robustos, embora menos eficientes em tamanho e velocidade.
Exemplos relevantes:
São baseados em códigos corretores de erro, com histórico matemático sólido. Em contrapartida, geram chaves públicas maiores, o que pode impactar aplicações com restrição de largura de banda.
Exemplos:
Baseiam-se em sistemas de equações polinomiais. O Rainbow chegou a ser selecionado em fase preliminar do processo do NIST, mas foi posteriormente quebrado em análises acadêmicas, evidenciando a necessidade de validação contínua.
Exploram propriedades matemáticas avançadas de curvas elípticas. Alguns esquemas inicialmente promissores foram comprometidos, e essa linha de pesquisa continua em amadurecimento.
O NIST já publicou os primeiros padrões formais de criptografia pós-quântica:
Esses padrões servirão como referência global para governos, instituições financeiras e grandes empresas na transição para a segurança pós-quântica.
A implementação da criptografia pós-quântica não é apenas uma mudança técnica. É uma mudança arquitetural.
A transição impacta desempenho, compatibilidade e integração com sistemas existentes.
Algoritmos pós-quânticos podem:
Em ambientes de alto volume transacional — como APIs bancárias, plataformas financeiras e gateways de pagamento — qualquer aumento de latência precisa ser medido antes da adoção em larga escala.
Testes de performance são etapa obrigatória da migração.
Um dos desafios mais relevantes da criptografia pós-quântica é o aumento no tamanho de chaves e assinaturas.
Algoritmos PQC frequentemente geram:
Esse crescimento pode afetar:
A compatibilidade precisa ser validada antes da implementação.
Grande parte das aplicações corporativas depende de bibliotecas criptográficas antigas ou fortemente customizadas.
A substituição direta de algoritmos pode:
Por esse motivo, a migração para criptografia pós-quântica tende a ocorrer de forma gradual, muitas vezes com modelos híbridos que combinam algoritmos clássicos e pós-quânticos durante a transição.
A preparação para a transição quântica exige planejamento estruturado. A adoção da criptografia pós-quântica deve ser conduzida de forma estratégica, com etapas claras e mensuráveis.
O primeiro passo é mapear onde algoritmos vulneráveis estão sendo utilizados.
Identifique:
Sem visibilidade sobre a superfície criptográfica da organização, não é possível definir um plano de migração consistente.
A arquitetura deve permitir a substituição de algoritmos sem a necessidade de reescrever aplicações inteiras.
Isso envolve:
A chamada agilidade criptográfica reduz custos e riscos em futuras transições tecnológicas.
Durante a fase inicial, a abordagem mais recomendada é a adoção de modelos híbridos.
Esses modelos combinam:
Essa estratégia oferece:
Antes da implementação ampla, é necessário realizar simulações técnicas.
Avalie:
A fase de testes permite antecipar gargalos e evitar interrupções operacionais.
Embora a transição para a criptografia pós-quântica seja relevante para qualquer organização que dependa de segurança digital, alguns setores enfrentam maior urgência.
Instituições financeiras lidam com dados que precisam manter integridade e confidencialidade por décadas. Transações, registros regulatórios e informações sensíveis tornam o setor altamente exposto ao risco de store now, decrypt later.
Prontuários médicos possuem ciclo de vida longo e alto grau de sensibilidade. A exposição desses dados pode gerar impactos legais, reputacionais e regulatórios significativos.
Informações estratégicas e classificadas são alvos recorrentes de espionagem estatal. A proteção de longo prazo é requisito essencial.
Ataques contra provedores de nuvem, energia, telecomunicações ou sistemas logísticos podem comprometer serviços essenciais em larga escala. A adoção preventiva reduz risco sistêmico.
A transição para a criptografia pós-quântica não depende apenas de tecnologia. Exige governança estruturada.
Entre as ações necessárias estão:
Nos Estados Unidos, ordens executivas já determinam planos formais de migração para padrões pós-quânticos em órgãos federais. Tendência semelhante deve se expandir globalmente.
Governança adequada transforma a migração em estratégia planejada, e não em resposta emergencial.
A criptografia pós-quântica não é uma iniciativa experimental. É uma preparação estratégica para proteger dados no longo prazo.
Organizações que iniciam inventários criptográficos, adotam modelos híbridos e estruturam agilidade técnica reduzem riscos futuros e evitam migrações forçadas sob pressão.
A computação quântica ainda evolui. A necessidade de preparação já está estabelecida.
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Criptografia pós-quântica é um conjunto de algoritmos criados para proteger dados contra ataques de computadores quânticos. Ela é importante porque a criptografia atual, baseada em RSA e ECC, poderá ser quebrada quando a computação quântica atingir maturidade suficiente.
Sim. O NIST já publicou os primeiros padrões formais de criptografia pós-quântica, que devem orientar governos e grandes empresas na transição para novos algoritmos.
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