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- jan 2, 2026
A gestão de riscos de terceiros tornou-se uma prioridade estratégica para empresas que dependem de fornecedores, parceiros e prestadores de serviço para sustentar suas operações. Quanto mais integrada e distribuída é a cadeia de valor, maior é a exposição a riscos que estão fora do controle direto da organização.
Hoje, falhas externas podem gerar impactos imediatos internos. Vazamentos de dados, interrupções logísticas, descumprimento regulatório ou condutas antiéticas de parceiros podem comprometer resultados financeiros, continuidade operacional e reputação de marca.
Nesse contexto, a gestão de riscos de terceiros deixou de ser uma prática reativa e passou a ser um processo estruturado e contínuo de monitoramento, controle e prevenção.
A seguir, entenda como funciona esse modelo e como a tecnologia está transformando essa prática.
A gestão de riscos de terceiros, conhecida como Third-Party Risk Management (TPRM), é o processo sistemático de identificar, avaliar, monitorar e controlar riscos ao longo de todo o ciclo de vida do relacionamento com fornecedores, parceiros, distribuidores e agentes externos.
Essa prática também é chamada de gestão de riscos de fornecedores (Vendor Risk Management – VRM) ou gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos. O conceito abrange qualquer organização externa que tenha impacto direto ou indireto sobre operações, dados ou reputação.
Isso inclui desde serviços de tecnologia e logística até suporte ao cliente, consultorias especializadas, parceiros comerciais e distribuidores.
O objetivo do TPRM é garantir que esses relacionamentos não comprometam conformidade regulatória, segurança da informação, estabilidade financeira, desempenho operacional ou continuidade do negócio.
A dependência de terceiros amplia capacidade operacional, mas também transfere parte do risco para fora do perímetro organizacional. Sem monitoramento estruturado, vulnerabilidades externas podem se transformar rapidamente em crises internas.
Leis como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados da União Europeia (GDPR) e a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) responsabilizam a contratante por falhas dos parceiros,
Isso significa que violações de dados, práticas ilegais ou descumprimento regulatório podem gerar sanções diretas mesmo quando a falha ocorreu fora da organização.
Incidentes envolvendo fornecedores podem interromper operações, paralisar cadeias produtivas e comprometer receitas.
Estimativas indicam que interrupções causadas por terceiros impactam cerca de 84% das empresas em algum momento.
O mercado exige responsabilidade ética e socioambiental.
Escândalos envolvendo fornecedores podem destruir valor reputacional em questão de dias, independentemente da responsabilidade direta da empresa contratante.
Ataques à cadeia de suprimentos estão entre as principais ameaças digitais atuais.
Aproximadamente 77% dos vazamentos de dados têm origem em terceiros, tornando o monitoramento externo uma extensão obrigatória da segurança interna.
Identificar vulnerabilidades em parceiros críticos reduz gargalos operacionais, atrasos logísticos e riscos de paralisação produtiva.
A exposição a terceiros envolve múltiplas categorias de risco que se sobrepõem e exigem monitoramento integrado. Cada tipo afeta uma dimensão diferente da operação, desde conformidade legal até continuidade do negócio. Entre os principais, destacam-se:
Ocorre quando o terceiro descumpre leis, normas regulatórias ou obrigações contratuais aplicáveis à atividade desempenhada. Isso inclui violações de proteção de dados, corrupção, descumprimento trabalhista ou não conformidade setorial.
Mesmo quando a falha ocorre no parceiro, a responsabilidade legal pode recair sobre a empresa contratante, gerando multas, sanções administrativas e litígios.
Relaciona-se a falhas que afetam diretamente a execução de processos essenciais. Pode envolver interrupções logísticas, indisponibilidade de sistemas, atrasos na entrega de insumos ou incapacidade do fornecedor de cumprir prazos acordados.
Esse tipo de risco impacta produtividade, nível de serviço, contratos com clientes e continuidade das operações.
Surge quando terceiros têm acesso a sistemas, redes ou dados corporativos. Inclui vazamentos de dados pessoais, exposição de propriedade intelectual, falhas de controle de acesso ou práticas inadequadas de armazenamento e transmissão de informações.
Parceiros com padrões de segurança inferiores ampliam a superfície de ataque e podem comprometer toda a cadeia digital.
Refere-se à instabilidade econômica do parceiro ou à sua incapacidade de sustentar operações ao longo do tempo. Pode envolver endividamento excessivo, baixa liquidez, dependência de poucos clientes ou gestão financeira inadequada.
A falência ou interrupção financeira de um fornecedor crítico pode gerar paralisação operacional e custos emergenciais de substituição.
Ocorre quando decisões ou práticas do terceiro não estão alinhadas aos objetivos, posicionamento ou modelo de negócio da organização.
Isso pode incluir mudanças operacionais inesperadas, prioridades divergentes ou falta de capacidade para acompanhar a evolução tecnológica da empresa contratante.
O desalinhamento estratégico compromete planejamento de longo prazo e competitividade.
Relaciona-se à associação da empresa a práticas antiéticas ou ilegais do parceiro, como corrupção, fraude, trabalho irregular, impactos ambientais ou violações de direitos humanos.
Mesmo sem participação direta, a organização pode sofrer perda de confiança de clientes, investidores e reguladores, com impacto imediato sobre valor de marca.
Decorrem da cadeia indireta de subcontratações realizadas pelos fornecedores principais. Muitas vezes, a empresa não tem visibilidade completa sobre esses agentes, mas continua exposta aos riscos que eles introduzem.
Isso inclui falhas de segurança, problemas trabalhistas, não conformidade regulatória ou interrupções operacionais originadas fora do primeiro nível de relacionamento.
Uma gestão de riscos de terceiros eficaz exige acompanhamento contínuo, não apenas avaliação inicial. O risco evolui ao longo de todo o relacionamento e precisa ser monitorado de forma estruturada.
Mapear todos os fornecedores, parceiros e prestadores ativos permite visualizar a cadeia de dependências e identificar pontos críticos de exposição.
Classificar parceiros conforme impacto operacional, acesso a dados sensíveis e relevância estratégica ajuda a priorizar recursos e definir níveis de controle proporcionais ao risco.
Due diligence estruturada deve incluir questionários de risco, análise financeira, certificações de segurança, histórico regulatório e verificação em bases públicas e listas restritivas.
Contratos devem estabelecer responsabilidades claras, SLAs mensuráveis, requisitos de segurança da informação, proteção de dados e obrigações em caso de incidente ou não conformidade.
A integração deve incluir controle de acessos, segregação de permissões, registro de atividades e alinhamento às políticas internas de segurança e compliance.
Avaliações periódicas, alertas de risco e acompanhamento de desempenho permitem identificar deterioração financeira, eventos reputacionais ou falhas operacionais antes que causem impacto relevante.
Processos estruturados de desligamento devem garantir devolução de ativos, revogação de acessos e eliminação definitiva de dados compartilhados, evitando riscos residuais.
A inteligência artificial está redefinindo a capacidade de monitoramento organizacional. Sistemas inteligentes conseguemanalisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar padrões anômalos e antecipar eventos de risco.
Ferramentas avançadas monitoram reputação, indicadores financeiros, notícias, mudanças regulatórias e fatores geopolíticos. Isso permite detectar sinais precoces de instabilidade ou comportamento suspeito.
No Brasil, cerca de 11% das organizações já operam em nível gerenciado no uso de IA para mitigação de riscos financeiros, demonstrando maturidade crescente.
No entanto, a adoção de IA também introduz novos desafios, como dependência de dados, vieses algorítmicos, alucinações de modelos e riscos relacionados à propriedade intelectual.
Mesmo reconhecendo sua importância, muitas empresas enfrentam barreiras estruturais para implementar uma gestão de riscos de terceiros consistente e escalável. Entre os principais desafios estão:
A dependência de planilhas, e-mails e verificações manuais torna a gestão lenta, sujeita a inconsistências e difícil de auditar. Esse modelo reduz rastreabilidade, dificulta atualização em tempo real e limita a capacidade de monitorar riscos em larga escala.
A gestão de riscos de terceiros exige conhecimento multidisciplinar em compliance, segurança da informação, análise financeira e gestão contratual. A escassez de profissionais especializados compromete a qualidade das avaliações e retarda a adoção de ferramentas mais avançadas.
Infraestruturas tecnológicas antigas dificultam a integração com plataformas modernas de monitoramento, automação e análise de risco. Isso gera retrabalho, duplicidade de dados e limita a visão consolidada do risco ao longo da cadeia de fornecedores.
Dados distribuídos entre áreas como compras, jurídico, TI, compliance e operações reduzem a visibilidade do risco total. A falta de centralização dificulta a tomada de decisão, atrasa respostas a incidentes e compromete a governança do relacionamento com terceiros.
A automação transforma o TPRM em um sistema contínuo de vigilância e controle. A análise de parceiros ocorre em ambiente centralizado, eliminando a fragmentação de dados. Verificações que antes levavam dias agora são realizadas em minutos.
Alertas automáticos sinalizam mudanças financeiras, incidentes de segurança ou eventos reputacionais relevantes. A resposta deixa de ser reativa e torna-se preventiva.
Com esse modelo operacional contínuo, a gestão de riscos torna-se escalável, auditável e alinhada às exigências regulatórias.
A gestão de riscos de terceiros é hoje um componente indispensável da governança empresarial. Em ambientes interconectados, a segurança organizacional depende tanto do controle interno quanto da confiabilidade do ecossistema externo.
Estruturar esse processo significa reduzir incertezas, fortalecer resiliência operacional e proteger valor organizacional no longo prazo.
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É o conjunto de processos usados para identificar, avaliar, monitorar e controlar riscos relacionados a fornecedores, parceiros, distribuidores e prestadores de serviço ao longo de todo o relacionamento contratual.
Sim, especialmente se depende de fornecedores críticos, compartilha dados sensíveis ou atua em setores regulados.
Riscos de conformidade legal, falhas operacionais, incidentes de segurança da informação, instabilidade financeira do fornecedor, desalinhamento estratégico e problemas éticos ou reputacionais.
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